28 de dezembro de 2014

Arrogância nada tem a ver

São destes relâmpagos de irracionalidade que vive a emoção e é ela que, por sua vez, revela então as nossas motivações mais intrínsecas. Racionalidade inibe o que somos de verdade e nos molda para sermos o que queremos ser, apesar de não o realmente sermos. (Ou será que podemos dizer que somos simplesmente porque conseguimos ser enquanto com a vista embaçada pelo raciocínio?)

Meu irmão concorda. Disse que emoções distorcem o pensamento e que sem pensar claramente seguimos instintos, mas diz que estes nos tornam animais irracionais. Que irracionalidade é sinônimo de instabilidade, de desmedido, de estupidez. Que viver nesta irracionalidade é um lamentável prelúdio de sofrimento: é uma felicidade ilusória, reduzir-se a "um contentamento esdrúxulo".

Mas afinal o que há de tão errado em admitir e adotar para si a natureza animalesca do ser humano? Instinto não é menos animal do que é humano. Além do mais, para mim lamentável mesmo é viver na infinitamente eterna estabilidade, na inatingível clareza completa, a vida toda.

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