28 de dezembro de 2014

Arrogância nada tem a ver

São destes relâmpagos de irracionalidade que vive a emoção e é ela que, por sua vez, revela então as nossas motivações mais intrínsecas. Racionalidade inibe o que somos de verdade e nos molda para sermos o que queremos ser, apesar de não o realmente sermos. (Ou será que podemos dizer que somos simplesmente porque conseguimos ser enquanto com a vista embaçada pelo raciocínio?)

Meu irmão concorda. Disse que emoções distorcem o pensamento e que sem pensar claramente seguimos instintos, mas diz que estes nos tornam animais irracionais. Que irracionalidade é sinônimo de instabilidade, de desmedido, de estupidez. Que viver nesta irracionalidade é um lamentável prelúdio de sofrimento: é uma felicidade ilusória, reduzir-se a "um contentamento esdrúxulo".

Mas afinal o que há de tão errado em admitir e adotar para si a natureza animalesca do ser humano? Instinto não é menos animal do que é humano. Além do mais, para mim lamentável mesmo é viver na infinitamente eterna estabilidade, na inatingível clareza completa, a vida toda.

30 de janeiro de 2014

...

busying to life
busying to died

Estava dando nos nervos uma poesia no início da página então, para tirar isso daí logo, pus algo que achei na mesa do colégio, logo não conheço o autor. A linguagem esguia é o que torna ainda mais bem feito, ainda mais próximo do estético inerte.

1 de janeiro de 2014

Dying for your love

love, fucking love, fuck
your heart away, love will suck

and it is all in addition
'cause amid all the allowed addiction,
homes amidst it a whole hopeless hole
full of people playing the homeless role

cola never allows much of cocaine
but oh! so sweet, you're my heroin

painting black gore
the shy shining meteor
so there'd be no more light
brightening this timid sight

hey! darling, aint passion so deceptive
it's - still - very much attractive
hey! love, aint you so depressive
it's - for sure - much less assertive

oh! but I've yet flown so high!
never even always thought I'd say goodbye
wanting every fucking love to die

I wasn't stoned by the way.

3 de dezembro de 2013

desculpas

Porque dormir menos de seis horas não presta à saúde, mas dormir mais de oito é folgar. Porque pegar o caminho mais longo é desperdício, fazer com elegância é arrogância, aproveitar o momento é oportunismo. Tem de ser veloz e ter efeito explosivo! Matar muito muito rápido.

E esta sociedade que fecunda o artificialismo dos atos, que amamenta chavões culturais, que educa com um protocolo de respostas emotivas, com regras de etiqueta. Bonequinhos de corda, com falas feitas, movimentos identicamente perpétuos, cara pintada igual máscara escondendo o nu e cru - e aquela melodia que de tanto tocar sangra os ouvidos e derrete a massa encefálica.

Madre esta que impõe a necessidade de prever a finalidade de tudo o que é feito e de planejar de que maneira o tempo - de nossa vida - é gasto, visando o maior lucro e produtividade possíveis. Porque o ócio é crime e a falência é castigo.

10 de fevereiro de 2013

Algumas distopias a mais

Eu sei que não sou uma companhia agradável: porque não consigo, e nem quero, ser igual a todo mundo. Mas sempre que você cansar de gente normal eu vou estar aqui; fala comigo se tiver a fim; me vê só se tiver vontade; pode vir quando quiser. Por favor.

30 de dezembro de 2012

Natimorto

Não existe de fato como ser tão imperfeito. Ainda menos tão perfeito.

adj. e s.m. Que ou aquele que nasce morto. / Fig. Que está condenado ao insucesso desde seu aparecimento.

O ser, no entando não nasce morto, porque só realmente se aparece depois de morto aquele tipo-zumbi que vestimos até algum ponto durante ou após a adolescência: as senhoras dão à luz um monstrinho, que lhes sugam os mamilos, o sangue, a persona e, algumas vezes, a pessoa, para então algum dia quebrar-se em dois e enfim revelar-se gente. E poder ser.

"Apenas a compreensão da realidade gera referenciais suficientes para a escolha de um modelo social e conseguinte construção de uma identidate social (a percepção de si e de outrem em relação a si)."

Como essa é uma compreensão extremamente subjetiva - dependente também da participação e manipulação deste e daqueles senhores - há nela a comprovação de um caráter verdadeiramente único, uma vez observada a infinidade de fatores correlacionantes.

"E em algum ponto, é formado um ciclo. A experimentação desta identidade na própria sociedade que a contrói pode ou não alterar a capacidade ou qualidade de percepção do indivíduo sobre determinados conceitos, renovando suas antigas escolhas, desejos e ademais. Daí o amadurecimento do ser."


*Culpado o tempo, havia-me esquecido se eram realmente de minha autoria, por isso os textos em aspas. De qualquer forma, é certo de que foram baseados em conceitos de um colega e, além do mais, parecem um bocado meus...*

13 de dezembro de 2012

nº 9


Eu havia dormido o dia inteiro de novo – até as sete – tendo chego ao apartamento lá pelas quatro da manhã. A noite passada fora longa. Os interessados em ver a apresentação do Caprice foram poucos e eu não era autorizado a sair até que o auditório enchesse pelo menos cinquenta vagas. Depois de lá ainda passei no club para gastar todo o dinheiro daquele dia em uma das bebidas de frutas de tonalidade índigo.
Tomei banho gelado, pois meu corpo fervia mesmo que a varanda aberta permitisse a entrada do frescor da noite. Quando voltei ao loft (era disto que o apartamento se consistia: um loft com cama de casal e uma mesinha pequena, um banheiro, uma varanda de 1m²), Neville estava estirado ocupando três terços da cama.
Neville era o dono do apartamento e me deixava ficar quando assim eu desejasse, afinal “ele gostava de alguma compania”. Porém deixava óbvio que não era esta a realidade desde que nunca nos encontrávamos – acordados – neste local minúsculo, por isso eu evitava aparecer por aqui.
Saí e desci as escadas, até porque o apartamento era apenas no terceiro andar e assim corria menos risco de ter encontros desagradáveis. Coisa de gente pobre de cabeça: noticiada minha constância, boa parte dos moradores acusava Neville de pedofilia e homossexualismo e a mim também não deixavam barato.
Deparei-me com um “Senhores condôminos, favor não aparecerem despidos à varanda” no mural do hall de entrada.
“Droga!” murmurei audível o suficiente só para perturbar o porteiro noturno qual aparentemente tinha um desconforto particular com minha frequência por ali.
Pensei que o anúncio se referia diretamente àquele senhor gordão cheio de pelos corporais que eventualmente abençoava a vista do edifício vizinho com toda a metade de seu corpo que cabia naquela varanda, então ri.
O lugar d’Ele era naturalmente distante daquele subúrbio que Neville se metera. Enquanto esperava o trem, me perguntava se realmente iria até lá ou se faria uma parada oportuna até a manhã seguinte novamente no club, que convenientemente era caminho.
Não é como se eu desgostasse d’Ele, eu o odiava. Ele tinha esse senso errôneo de autoconfiança excessiva que o fazia subestimar e diminuir os outros em prol de seu egocentrismo. E o que mais me incomoda é ser subestimado.
Certa vez, ainda quando desconhecia sua relevância em meu círculo social, interceptei seu diálogo com uma conhecida, quem, aliás, há muito não contato. Essa garota é daquele tipo de pessoa com quem é quase impossível ficar desconfortável; além disso, é de uma beleza particular, quase exótica, ao ponto que se deve ter bom gosto para apreciar. Ele quem iniciou conversa, flertou com ela! E então foi graciosamente o mais arrogante possível: rejeitou-a e saiu do bar com uma dançarina.
No entando, odiá-lo era um empecilho infímo para o meu ânimo em visitá-lo. Muito talvez não houvesse drinks de pêssego com corantes de todas as cores na festa!
Tão concentrado em meu ódio, quase perdi a parada para o clube. Bem próxima à saída estava uma loira que me penetrava com um olhar curioso. Em fim o trem parou e me detive ainda na porta do vagão.
Também tinha aquela garota. Envolta por uma aura de pavor e desespero que implorava por ajuda mesmo que fisicamente impusesse feições de confiança e superação. Este tipo de pessoa era o que me atraia mais do que íons positivos atraem os negativos (apesar de supor que fôssemos ambos íons negativos).
Além do mais – e a porta do trem se fechou –, se fosse ao club teria de voltar para o Neville e suportar sua ausência, suportar o porteiro e o gordão e os moradores. Suportar estar sozinho em uma cama tão desconfortavelmente grande.

6 de novembro de 2012

nº7 (adaptado)


Você só sabe que lhe olham quando você os olha.
A moça que estava sentada à calçada vestia saia longa colorida e regata preta, descalça. Os cabelos, que agora soltos, perdiam-se em ondas pelas suas costas e ombros em uma fartura admirável. Qualquer um que a olha, assim como eu que o fazia agora, logo pensa: cigana.
É notável como as pessoas conseguem formar tantas opiniões precipitadamente errôneas em relação às outras. Digo isto somente por intriga para com este imediatismo, porque aquela mulher era realmente uma cigana.
Sei disto como todos os que um dia já a conheceram um pouco mais intimamente – e não me refiro aos muitos que já conheceram sua nudez, pois tenho certeza, então posso afirmar, que esta era apenas uma faceta concorrente ao que ela verdadeiramente é.
Era dia, portanto, devido ao ávido movimento nas ruas, muitos a observavam com curiosidade repugnante. Ela, contudo, só sabia de mim - de que a olhava -, até porque somente eu a interessava que olhasse. Sei que ela sabia, porque vi quando me olhou enquanto a olhava. E não importa a mim que assim o seja e creio que a ela também não.
Eu? Bom, eu estava no café do outro lado da rua. E não era qualquer café, era O Café (o qual, apesar de toda a magnitude, não é assim tão relevante). Gostava ainda mais porque trabalhava lá um atendente um bocado simpático, com um sorriso do tamanho de seu corpo de dois metros e vinte.
A moça do outro lado da rua trabalhava só durante a noite: às vezes era Maria, a cartomante, às vezes Lola, a prostituta, e às vezes Koko, a parceira de Leonel, o dono do Caprice. De dia era alguma das três para aqueles que a conheceram numa noite qualquer; do contrário não era ninguém. Para mim era todas.
Risos ao fundo.
“Não tem mesmo como ele ser.”
“E por que não?!” Era obviamente uma pergunta retórica. Aquelas mulheres se deleitavam com algo que provavelmente somente garotas achariam graça. Olharam para mim e viram que também as olhava. Agora não tem escapatória. Sentaram-se à minha mesa e quando o atendente veio, elas o reconheceram da outra noite e o cumprimentaram. Pediram o mesmo que eu e ele as trouxe um “especial para moças bonitas”.
Eu não estava bem para conversas longas e calorosas com temáticas de potencial futilidade, então as disse que falaria com Koko e elas nem hesitaram em me deixar ir.
Enquanto caminhava para longe e longe, olhei só mais uma vez e vi que Lola me olhava. Sorri calorosamente em um reflexo tão espontâneo que não houve tempo à contenção deste desejo, ao qual não recebi nada em resposta até hoje.

21 de junho de 2012

automação II

Venho tendo estes sonhos sobre canibalismo ultimamente e são sonhos frequentes. Eles dizem que os sonhos são espamos de pavores ou desejos repudiados, no entanto neste caso não há como. Eu não saberia o que diriam. Afinal não é uma temática que me atormenta nem atormentou, ao ponto que a tenho para mim, ao máximo, como algo repulsivo. Nojento.
Das poucas vezes que tive contato foram ligações indiretas com os fatos, em que nenhum tipo de artigo sinestésico pudesse ser de força suficiente para me chocar - apenas firmaram minha reversão. Nos meus sonhos há a boca e a unha sangrentas. Uma mulata ergue a faca a mim - a faca também embebedada em sangue - e, curiosamente, naquele momento temo a morte.
Então enfim a comicidade quando ela ergue um garfo! E entre os dentes dele está grudado um fragmento de pele humana esticada de forma grotesca. Quase rio se não lá estivesse. Ela me comeria de garfo e faca! Mas ela passa por mim e dirige-se a uma banheira onde estava um bebê. Não há mais nada no aposento além da banheira e de uma janela por onde entra luminosidade rasoável. (Agora sóbria penso que me lembra daquele em Constantine) Eu não a vi comendo-a, mas sei que o fez.
Pois que agora estou sem paciência, então o outro fica à próxima.

13 de maio de 2012

Tentativa 2 _ 13-5

Perguntar se alguém acredita no amor seria, além de piegas, o mesmo que fazê-lo refletir se, para ele, o amor existe ou já existiu. Ainda, um pouco retórico, afinal amor existe, só é relativo para cada um - mesmo que agora não me refira a uma verdade absoluta.
A análise técnica e racional deste tipo de conteúdo é interessante. Pode-se inclusive classificar as pessoas pelo conceito que têm de amor - é, porque o ser humano o adora fazer.
Para mim o amor está relacionado muito mais a uma decisão que tomamos em função de uma série de critérios estabelecidos individualmente e essa implicaria essencialmente em escolher compartilhar o resto de sua vida com determinada pessoa amada. Daí surgiriam explicações ao fato de se poder amar familiares, amigos e ademais sem que tenham de ser "tipos distintos de amor". Seria, no entanto, contrário ao que a grande maioria das pessoas toma para si como amor, assim que estão habituadas a associá-lo ao sentimento de carinho ou, pior, a desejo (mais conhecido como paixão, que nada mais é que este carinho com indícios de atração sexual). Esta última chega quase a ser uma ingenuidade repulsiva.
Contudo, mesmo que de forma alguma você não seja capaz de minimamente concordar com esse conceito de amor, aposto que determina como amor o que sente pela mãe, irmã, tio, melhor amigo, namorado, paixonite temporária ou cachorro. A menos, é claro, que tenha sido um solitário infeliz que ainda não sabe por que ou do que vive.
Este contexto todo introduzia a este ponto: homens que não conseguem amar mulheres são homossexuais, assim como homens que amam homens são inevitavelmente gays. Ah, não... mas o homem que ele ama é o próprio pai... Pois! Nada a ver essa coisa de amor com paixão, certo?

*A partir daqui o post é corrompido. Só o redigi porque desejava compilar o pensamento em palavras, nada mais.*

Nem em toda inocência, nem a voto de castidade é rejeitado o lazer esporádico. Prazer pode ser resumido à reação neurológica a um estímulo sinestésico o qual pode ser obtido de formas diversas. O que vai determinar a capacidade de sentir prazer através de determinado estímulo físico será o grau de aceptabilidade ou repulsa que o indivíduo nutre por este, portanto se alguém é incapaz de sentir prazer pelo mesmo sexo é unicamente pelo fato de achá-lo repulsivo.
Amor, é lógico que chocolate é afrodisíaco! Estimula a corrente sanguínea... mas e a criatura (porque só não sendo humano) que desgosta de chocolate? A repulsa origina reações de desconforto suficientes para que seja ignorada o que seria a reação usual. As pessoas podem fingir repulsa sem sentí-la, o que as repudiaria de chegar a uma experimentação apropriada - do chocolate. Apesar de tudo a mocinha hetero sequer hesita em tocar ou ser tocada pelas amigas desde que não exista nada subentendido neste ato.
E mesmo aceito este prazer, acima de ser capaz de amar alguém, perpassar tudo conflitante até alcançar o ápice de um relacionamento amoroso é muito difícil, até porque o relacionamento heterossexual na formação familiar é , além de vantajoso (então atrativo), normal. Arcar com esta responsabilidade.

4 de abril de 2012

Don't you dare
Trying to be beneath hell
dying to undo life
playing bossy
             in order to displease god

os diretórios de ontem não são mais iguais
daí minha dúvida:
E CADA A TI?!
e crescente solidão

5 de março de 2012

Luka

Silêncio. Não te fala de silêncio. Quem que fala de silêncio? Digo-te que neste silêncio. Que este silêncio que perdura neste meio tempo acaba por evitar - e nem sempre fazê-lo é coisa boa (agora mesmo o faço evitando uma onda de prazer provindo de envolvimento físico com este ser que me eriça os cabelos da nuca e faz-me e desfaz-me de pouco desgosto). Evitar que muito aconteça. Não te fala de silêncio que não vale a pena.Mas implora ao silêncio como conteúdo se impedindo o pudor da supremacia deste.

6 de janeiro de 2012

me espanta que ainda não tenha morrido

24 de setembro de 2011

em mi menor

Tenho esta ânsia - ânsia de te puxar fora deste fundo lago de desejos reprimidos o qual voce se afoga.

Mesmo eu sei que esta ânsia provém do meu próprio desespero - de sair de minha caverna de mágoas. Há que penso que seria você quem me ajudaria a encontrar a saída. Porque ajudaria-me se pudesse... certo?

Pouco me apercebo que somente salvando-te poderias salvar-me. E para salvar-te tenho de salvar-me só.

E para que continue este rítmo frenético, não imagina o que estou fadada a realizar.

10 de julho de 2011

psicodialogus

Escava, com as próprias unhas, este poço sem fim! Vai e vai... foge de toda a dor - o que é aceitável, pois todos o fazem; e só agora percebe que cavara tão fundo que não mais há luz onde perece.
Ora, por isto que cansam-se de ti! Não apercebe-se de que é exaustivo ter de perseguir-te nas trevas deste buraco imundo simplesmente para tentar alcaçar Àquele você - o outro que não está por detrás de tantos lençois?
E, pior, eu que conheço-Te, sei que és tão insignificante, tão inocentemente singelo... e então reconheço que a escuridão que lhe envolve é de intensidade mais do que suficiente para corromper-Te de tal forma a tornar-Te extremamente fraco e incapacitado.
Sequer arrisco-me a dizer que, mesmo eu!, sei quem és por completo.

Mas então. Desperta! Já! Afinal estou farta disso. Não é você quem sofre toda a dor física - a sério! pois meus membros estão a tremer com o esforço de escavar a terra. Qualquer dia destes, caio morta. Então, Você não será nada... até porque, como seria?
Não quero ser egocêntrica, afinal meu ego seria todo o seu, todo o meu, mas como pode apenas essência ser algo neste mundo, se não preenchida da futilidade de um corpo físico?

23 de junho de 2011

In Flexão

É quase imperceptível! Que a alternância da normalidade e anormalidade seja algo na Terra. Mas que terra, aliás?

Leva-me logo, agora, daqui. Beija-me com lábios gelados e embala-me à cama.

Juro que o êxtase da inveja é interminante, algo que, racionalmente, contudo unicamente racionalmente, irrita-me até meu último instante de sanidade. E, ainda, é somente um dos pontos de intermitência e embate entre desejos repugnantes e uma mentalidade doentia.

Tortura? Rio-me toda com esta mínima indulção física e, as vezes, psicológica. Como já disse, inferno qualquer é pouca coisa à tortura – à toda tortura possível – presente nesta Terra. Terra – que vida? – vida porra nenhuma.

E depressão então. Cala-te, que depressão ainda é sinal de fraqueza – e uma apenas.

Jamais virei novamente a escolher qualquer experiência insultante. Que índigo é este que sofre a penalidade de uma nação – comunidade desconcertante – adepta da desgraça inconcebível da configuração originalmente religiosa?

Morro em vontades de gritar meu desespero – mentira, que se estivesse a morrer por tão pouco emanaria felicidade intérprete do drama de meu último sopro.

Sai do cargo que lhe incubiram, cargo este de tanta desvalorização.

Todavia, agora não penso em nada, pois se penso, esqueço de existir. Se penso, não quero existir. Mas para! Balelas que este conteúdo contém suicídio em cada palavra. Nem palavras têm aqui. Nem quem as lê, nem quem as escreve, portanto não são. E, sobre o assunto inicial, sabe que mesmo sem saber ao todo por que continuo, o faço, então não te preocupas, afinal nem mesmo eu me preocupo. Se bem me entende, sabe que não desejo teu apreço. Porém não há como entender-me...

18 de junho de 2011

Fantasia Pscicológica

Vista a anuância do meu corpo torto ao chão entendo que morri em agonia, contudo não me arrependo de forma alguma destes últimos momentos que finalizariam minha estúpida vida.
A incoerência da primeira vez que adentrei o ambiente escolar, a transcedência para uma fase de terror absoluto, eu não notava naquela época. E o início da fase deu-se por descobrirem-me – se não me distinguiram pelo meu físico demasiado alto e magro foi meu silêncio perante eles o que denunciou-me. O começo do terror, porém, aconteceu somente quando a malícia apossou-os. Os sussurros, olhares, a garota! – maldito ser aquele, erro de Deus – aproximando-se singela e minha pele reflorestando-se com o calor úmido que percorreu meu corpo. Deu-me esperanças de algo, a criatura, pouco antes de destruir a marretadas o prazer que sentia naquele diálogo com o sorriso de deboche. O cinismo de todos eles aumentava em enormidadedes desde então, os murmúrios e risadas, as perseguições frenéticamente constantes e os hematomas.
Sequer lembro como arrumei o instrumento, mas sei que o tempo o qual passei praticando-o foi suficiente para tocar tal sinfonia em que a plateia sangra ao meu prazer.
Filtrei as vítimas distinguidas subjetivamente e exclusivamente por mim. Atirava em todas elas – as mulheres, tão miseravelmente encolhidas com a face cheia de pavor, algo que apreciei tanto, em um momento quase erótico, que escondeu meu próprio humilde medo. Finalmente passei a ver somente o sangue e nada mais me preenchia além do instinto loucamente suicida. Foi quase antes de chegarem policiais que atirei em mim mesma.
Míseras as superstições de um ateu ao pensar que não continuo agora, e ainda presa para sempre, desde que nasci, no inferno que fizemos deste edifício que pode ser qualquer coisa, pois não me é nada.

18 de abril de 2011

lálálálálálálálà

D:
Não sei como não me retiro logo, pra parar logo com essa coisa.
Toda vez que acordo sonhando está em paisagens nunca antes vistas, portanto reconheço, por mais que lute, a ilusão.
Juro que tem de ser demasiado masoquismo nosso, de ambas eu e ela, para continuar. Sei, porque também não quero negar, que ela partilha da mesma sintonia freneticamente, romanticamente viciosa.
Taí minha automação. Nem pensar mais consigo.
Contudo ainda sinto.

Cala-te, nem vem tratar comigo, afinal não sabe do que estou a falar. ^^ Você mesmo. ò.ó

22 de janeiro de 2011

Let's play freefall today.

O vento que me sopra, me enrosca e me espalha em mim, é o mesmo vento que te retorce. Quando o faz, é porque não estou a fazer o mesmo que ti. Este vento que me sopra, é mais interessante que o teu. Sei, porque já estive contigo.
A queda é irritante, como sempre - não sabe o que te espera nem o que deve fazer. E então vem a liberdade - é possível percebê-la ainda no ar... Você acaba por reconhecer que Ela te espera lá embaixo e reconhece a experiência única que está acontecendo e está por acontecer! É incrível.
No fim, o solo não é tão gentil, mas Ela o é - e há uma compensação. Depois disso, você encontra a mesma monotonia que já tinha... o mesmo frio interminável que consegue ser mais quente que a paisagem ao redor. A solidão impressindível, mas já conhecida, por mais inimiga que seja.
Espero por você aqui, com o mesmo sorriso que tinha quando estava por aí. Nenhum. :)

"Esquece que algum dia -
Não... me espera sem lembrar de nada mesmo. Me espera sem saber, sem conhecer, sem recordar já ter-me antes esperado."

Que foi isso? Então, se canso de esperá-La, que faço? Me escuta... que demoras tanto? Enquanto o gelo da solidão do inferno me aquece mesmo em terra, por que estou a esperar aqui, onde permanece a espectativa de que algo mude? Tal espectativa que retira de mim o que foi a consciência.
Por que continuamos, mesmo quando já estamos onde se deve chegar no fim?
É daí que você faz o maior salto da sua existência. E a destrói.

14 de novembro de 2010

pretextos e ademais

Vive sem pensar muito no amanhã, pq se o fizer, pode ficar louco.
A situação já está a este pé...
Entretanto, não consigo fazê-lo. E, nessa hipocrisia minha, mesmo conhecendo esta lei, ainda penso que louco é aquele que vive demais sem pensar no futuro e nas consequências. Talvez inveja? Odeio... Ou a loucura já afeta-me.
O que me diz das pessoas que deixam a vida à maré, porque não encontram nada à frente e cansam de procurar?
As vezes me fazem perceber quão ingênua pareço - mais do que realmente sou. Mas também não me apetece mostrar o contrário.

Estou a tal ponto que suporto facada profunda mas não que larguem-me de lado de novo. A cicatriz que fica é demais.

Desapareço sem deixar aviso. Escondo-me nessa ou naquela caverna de mágoas e só saio quando percebo que não vale a pena lá ficar. Porque ninguém salva-me antes - ninguém me encontra.

Sabe, se ficar a ler disto demais, acaba só a adentrar mais no fosso; que sei, por experiência. Então some.

2 de novembro de 2010

idk how to play

como pode virar-se o tabuleiro e o jogo mudar em todo? neh. o jogador não muda, não importam as pedras...
vence quem adotar a melhor prática. mesmo no fim, ainda tem o direito de mudá-la - não que vá ajudar em algo.
ainda, você pode tentar, mas não se pode ter certeza de quando tudo acaba.
porque nem acabou ainda

2 de outubro de 2010

De caindo há de Rotar, gira e gira.

ha. justo agora que precisava de ti.
bom, não é de menos. rejeito-te ontem, atacas-me hoje, hm? e amanhã?
pior é que estou a abrir os curativos para ver sangrar, para ver se vem. se vier, irás tacar-lhes sal?
quero doce. Agora, logo, falta esperança. Penso que sejam momentos assim que causem descrença.
sabe, se precisou de mim ontem, não noticiei. não noticiará que hoje sou eu.
Escuta, quando ficas o dia inteiro em casa a morrer e matar-se e não pode dopar-se é tenso. Eu quero.
Apesar de tudo, penso as vezes, obrigada pelo antes de ontem, aceito o que quiser em troca, pagar o preço do pão... mas logo vem a onda de algo que não sei que é, que me arrasta e me afoga e me arrependo. Deus... cobras muito caro.
Declaro que não sei onde estou e que só sigo à onde for mais bonito, onde tiver menos luz machuca menos os olhos.

11 de setembro de 2010

as recordações e a história do Tchecoslovaco.

Se não sabe como é a vida, aprende agora.

Entre a enxerga e as tábuas da cama, eu encontrara, com efeito,
um velho bocado de jornal, amarelecido e transparente, quase
colado ao pano. Relatava um acontecimento cujo início faltava, mas
que devia ter sucedido na Tchecoslováquia.Um homem partira de

uma aldeia para fazer fortuna.
Ao fim de vinte e cinco anos, rico, regressara casado e com
um filho. A mãe dele, juntamente com a irmã, tinham uma
estalagem na aldeia. Para lhes fazer uma surpresa, deixara a mulher
e o filho noutra estalagem e fora visitar a mãe, que não
o reconheceu. Por brincadeira, tivera a idéia de se instalar
num quarto como hóspede. Mostrara o dinheiro que trazia. De
noite, a mãe e a irmã tinham-no assassinado à martelada e atirado
o corpo para o rio. No dia seguinte de manhã, a mulher
do desgraçado viera à estalagem e revelara, sem saber, a identidade
do viajante. A mãe enforcara-se. A irmã atirara-se a um poço. Devo
ter lido esta história milhares de vezes. Por um lado, era
inverossímil. Por outro lado, era natural.

Achei lindo, o que surpreendeu-me, porque encontrei num lugar que não estava a nutrir muito interesse...
Certo, não é algo real, é uma histórinha boba que talvez alguns reconheçam. Imagino-me contando-a aos meus filhos e netos e sobrinhos e filhos de gente que aprecio antes que durmam. Sonhariam sonhos lindos, como eu?

15 de agosto de 2010

Monções de Ternura, por favor.

O céu é o mesmo em qualquer canto.
Estive tanto tempo isolada por mim, que, quando apercebi-me que deveria sair de cá, já não mais lembrava como agir contigo - ou com qualquer um. gomen.
As lágrimas que derrama por coisas tão simplórias são as mesmas de sempre. Então, pra quê?
Diria algo sobre xenofobia, mas nem. Não tem nada a ver.

7 de julho de 2010

mas não...

Sinto raiva da pena, da compaixão. Finjo que não anseio por compreensão.

Kurohime

eh. Afogou-se na falta de humildade.
Não que eu não tenha ajudado a empurrar-lhe... não que eu não o tenha gozado. Não posso dizer nem que foi uma perda, não posso dizer que sinto muito. O prazer que sinto é simplesmente indescritível! Enquanto renova-me a esperança - qual espero que não vá abaixo novamente, que não seja novamente decepcionada, e que, novamente, venha empurrar-me no fosso - só visualizo campos frutíferos de uma colheita incessante.
Ele sente mais do que ela, mas ela chora mais do que ele... eu choro mais do que todos.
Apesar de tudo, em minha humildade exagerada, reconheço meu triunfo aqui, sem mostrar à mais ninguém, ao final.

29 de junho de 2010

Tentativa 1 _ 17-8

olhava-te prosseguir feliz, enquanto perguntava-me o porquê de não esperar por mim...
Deixavas-me de lado! Por que deixavas-me de lado?
O problema é que quanto mais tempo perdido, mais te distanciavas...
E eu já não sabia mais andar, porque a areia já soterrava-me...
Não sabia que estava morrendo.
A areia apenas cobre tudo. Embrulha-te.
Nem a sente.
Não percebe.
Você respira - você tenta.
Não consegue.
Asfixia.
Verde...
Morte.

28 de junho de 2010

smoothly

Sabe... SP é uma cidade estranha, não existem lugares seguros: se sair na rua a gritar, capturam-te e carregam-te ao manicómio.

26 de junho de 2010

memórias da Psicose

Estou a passar por exames terapeuticos e psicológicos. Dizem-me que tenho diversos distúrbios emocionais. Recomendam-me um neuropsiquiatra. so what? Descobri uma ninfa noutro lugar. Juro que tento encontrá-la de novo, só porque sei que, dela, nada terei. Quando puder visualizar-me ao lado daquele ser imperfeito, ainda terei de guardar-lhe o segredo. E mesmo tendo de voltar à cá - e a dor da volta é tão indescritível! - vale a pena sempre que vou.

19 de junho de 2010

lith

Ah! eu sei que disso já sabem, mas vale a pena ressaltar a cada vez que uma essência é salva:

"Religion is to offer hope, inspiration and faith But when that faith passes judgement and tells you what to do, it is no longer faith, it is a cult..."
Amuto Fan

eh. Nem tão poético, mas bem colocado.

10 de junho de 2010

Holy.

Não, não...
Observam-no com curiosidade quase crucificante. As faces não são agradáveis, mas pior é dizerem-no misterioso. Jogam-no na cara, tal expressão, como se estivessem-no cuspindo as entranhas em cima. E ele não chora... lá, é claro, porque está sempre a chorar. A verdade é que pouco caso fazem dele. De nada ele realmente importa à todos. Não o olham, não o falam.
Ele não caminha, seus membros o fazem. Ele não cá está.
Consta que está em coma. Não apercebe-se mais o que o ronda. Não existe mistério algum. Dá-se aqui: nunca tocaram-no a alma, nunca quiseram o fazer, e isso que chora. Chora pelo tanto quanto não o havia feito previamente.

2 de junho de 2010

memories from a disturbed childhood,

Ao início, ela está intacta. Puxa-se a corda de cada um dos lados, mas existem demais fatores. É impossível dizer que quem nunca a rompeu teve maior diversão, também. Uma mesma pessoa pode puxar diversas, cada qual com suas consequências.
Pois então, quando puxa-se com demasiada força de ambos os lados, é óbvio que virá a romper-se. Existem os maltidos intrusos, ainda. Enviados por que quer que seja, acabam por atrapalhar a brincadeira - muitas vezes são eles os que virão a romper a corda alheia - ou simplesmente deixam-na mais interessante, dependendo da perspectiva.
Em toda vez que rompem-na, claro, não acaba-se por aí - ainda resta dar o nó, o que pode ocorrer ou não. É, porque a amizade consiste-se disto, porém, mesmo que o nó seja dado, ambos terão consiência de que ele está presente, como uma lembrança eterna e irreversível. Todos os nós o são.

Porque, quando ele morre, ocorre um curto período de trégua.

É impossível mostrar-se forte o tempo todo. Quanto mais resiste em abrir a casca para soltar o pó, mais pó acumula-se. Entretanto, chegará o dia em que a casca ficará pressionada e pressionada e eclodirá e danificar-se-há para sempre e, ainda, o pó sairá de vez.
Quando todos em volta demonstram-se tão fracos, alguém deve-se eleger como fonte de força, do contrário afunda-se tudo. Gostava, apenas, de que a eleição não ocorresse tão rapidamente.

27 de maio de 2010

The beginning that have never started

Gostava mesmo que houvesse autenticidade no que a humanidade faz, mas não há. Dizia algum intelecto que se salva - mas que já falta-me na memória - que "a cinestesia da humanidade não é original. Há a área sensível. Só se pode imaginar, lembrar, saber, o que já se passou pela área sensível. Tente imaginar uma cor que nunca foi vista por ti que não conseguirás."
Não seja tão exigente... não peça algo que não poderei cumprir. Se deseja que lhe mostrem o que são, esteja pronta para aceitar a falta de originalidade que aparecerá. Não pense, em momento algum, que a humanidade não é sombra de algo maior. A originalidade não vem do homem.
Porém então, se o que busca é sinceridade...

22 de maio de 2010

sim; e dificilmente será retirada.

Hoje em dia não mais existe o ser humano. O ser humano tornou-se a Pessoa, tanto oralmente, visualmente e essencialmente. Tomou-se o hábito ignorante de chamar o humano de Pessoa e agora, acostumado por como sempre fora tratado, de fato tornou-se a Pessoa.
Entretanto, existe outro ponto. O prósopon não passa de uma personagem. A Personagem não é nada menos que a pessoa que a interpreta. O uso de "pessoa" não é mais correto que o de "personagem", afinal o que mais o ser humano faz quando interpreta A Pessoa?
A personagem que a humanidade conquistou para ser intérprete foi O Prósopon, a pessoa.
E o prósopon é o aspecto que a humanidade desenvolve e desenvolve, mas substitui-se. O aspecto único, ou nem tanto, de cada Ser humano. Algum dia, deixaríamos de ser humanos para sermos Pessoas... e o dia já chegou há muito tempo.
A humanidade não é mais humana. É apessoada, o prósopon, a persona... a máscara já foi colocada e fixada.

14 de maio de 2010

Esperando...

29 de abril de 2010

A flower of revival...

No espelho, caso haja interesse, pode-se conhecer e visualizar a mente.
O corpo é somente a medíocre figura externa e é dificilmente uma figura honesta - a honestidade do corpo vale-se ao reconhecimento da natureza da mente.
... e a escolha pelo aperfeiçoamento do corpo é, apesar de tudo, a mais comum e intensa.
A sombra trabalha a simples resenha do corpo. Representa-o unido com a mente tornando-os traiçoeiros. O emprego da sombra é distorcer a verdadeira forma dessa união, enganar, esconder. Quem vê somente a sombra teme o ser.
... e quando acaba, a única coisa que resta é a sombra, que com a falta de corpo e mente, descansa com louvor de sua trapaça.

25 de abril de 2010

- e ainda falta algo;

Em cada vez que volto todos estão mudados, mas quem mais muda sou eu. O meu desgosto é culpa minha, pois se não temos como partilhar de uma mesma sociedade para sermos influenciados da mesma forma, a deturpação é inevitável. Até que ponto a cinestesia é leal? Falha na comunicação...
Fantasio o dia em que isso virá a acabar - a satisfação não vale o sofrimento, até porque ainda não sou masoquista. Não há salvação e nunca houve, o erro foi cometido e o que se dá é compreendê-lo da forma correta para não ferí-lo, mas nesse campo não existe correção.

16 de abril de 2010

Hardly ever makin the right choice.

Mas então, por que inferno o ateu seria o covarde? Não o coloco como vítima, mas covarde, acredito, é aquele que alimenta crenças por medo das consequências de não o fazer. É claro que a religião tem um papel social demasiado importante confortando as pessoas de vários de seus medos, mas aqueles que cegamente aceitam crenças que os confortem tornando-se servos da religião são os verdadeiros covardes - e ainda tolos. Até que ponto a ilusão pode esconder a covardia?
Ainda, aceitar a existência de algo não é o mesmo que acreditar. Acreditar é como odiar ou amar - ou se sente ou não - tal que não faz sentido existir o por quê de o fazer ou não.
Ahn, como irrita-me chamarem-me covarde. Afinal, quem foi o puto que começou com essa coisa de Deus? Claro que a igreja católica e mesmo a protestante e raizes são diferentes do cristianismo original, então que sentido faz frequentar tais sítios? Que sentido faz frequentar qualquer sítio religioso? Enfim, dificilmente vi lugares mais hipócritas, mas essa é só a mentalidade envenenada de uma criança perturbada emocionalmente - e covarde, pelo visto.

12 de abril de 2010

sem rastro, sem rastro ~

Corre logo ao seu meio, que ao menos lá encontra-te. Cresce, entristece, definha, batalha, escorre, mas o meio ainda tá lá, you know, tanto quanto ainda estou aqui. Mesmo você não o vendo, sabe. Então, corre logo... foge, mas não deixa rastro, sim?
Espanta-me não tê-lo já feito, porque sim. Por que não?
Não entra na casa quando em desespero, não monta na égua quando cansado, não bebe do lago quando sedento, pula o muro sem ver o que tem atrás, mas segue do teu jeito.

7 de abril de 2010

Encarece, porra.

Parva demais pra crêr que é o dia qual permite sua chegada. Satisfeita de cultura e calorosa de um frio lunar. Pecadora furtiva - luxúria nos olhos, ganância na boca. Impaciência em ser.
Sincroniza dor, fé, lealdade e tudo, mas acaba demasiado rápido... e então a matança sem sangue, simples pois pura, realiza o desfecho explícito do amanhecer.
Dá-lhe noite tola, em fim.
Toda vez espero que venha melhor, mas volta sempre igual: aborrecida.

29 de março de 2010

Such a sleepy child.

Enterram-me cada vez mais fundo. Penso em gritar para pararem ou até por ajuda, mas não funciono. Parte de mim deve gostar disso.

25 de março de 2010

Ahn.

Mesmo a maioria da civilização ociosa possui poderes pscicológicos superiores a de alguns outros seres biológicos. São como super-heróis, só não fazem nada de útil para a sociedade, apesar de também não atrapalharem demasiado.
Infelizmente existem aqueles que, mesmo partilhando da humanidade, não desejam aproveitar sua capacidade intelectual e, por vezes, em nenhum momento da vida notam a falha que cometem.
Pensava em dizer 'Morte aos Ignorantes.' mas parecia benção demais para ser gratúita.

24 de março de 2010

Entretanto, nunca neva.

Segura-te, imploro. Guarda tua voz para quando não tiver mais da minha. Aguarda meu fim e deixa de pose ... Espera o Adeus pra substituir, pois do seu pouco não posso desacorrentar-me mais - porque tirou-me a chave tão cedo. Falta-me força.

22 de março de 2010

I had been praying all night long.

Entende que o temor é consequência da imaginação,
portanto não perdemos o medo, mas a inocência.

Mas não é só isso, certo?
Do contrário, por que nos esconderíamos, mesmo quando crescidos, do que existe, do que há lá fora? ... a imaginação não vai-se toda com a inocência e, por sabermos do que existe, imaginação e realidade se fundem trazendo não só medo como pavor.
E é por isso que não deve-se mentir - nem omitir - às criancinhas.

19 de março de 2010

16 de março de 2010

Me falta voz.

Entretanto, todos que conheci que morreram de tal forma estão ocupados demais.

Muita coisa me adoece agora.
Escolhia morrer de Tédio.
Melhor que de Incompreensão - inocencia de menos.
Ainda que de Esperança - cegante demais.
Mesmo que de Desconfiança - fé de menos.
Mais generoso que morrer de Amor ou Ódio - doloroso demais.
Definitivamente respeitoso ao lado de morrer em Injustiça.

13 de março de 2010

Trick or trick...?

Cansada de esperar por mim, mas algum dia isso acaba.
Desde que Ela espere.

12 de março de 2010

Descaso

Não me importo de deixar as coisas como estão.

Todos já estão perdidos, certo?

11 de março de 2010

Ritual Noturno

O terror na tua face me expele.
Agrada-me ter tamanho ego no teu ser,
porém enquanto não engolfa-me, não satisfaz-me.
Canso de esperar mas também nada faço.
Meu medo cresce à medida que suas palavras caem sobre meu coração,
mutilando-me, minha essência desfazendo-se, escorrendo à terra sedenta.
Em agonia, chamo-te enquanto Ela me leva.
O caminho nunca foi tão longo.
Agora, sozinha, minha alma pesa sobre meus olhos cegos.
É essa a minha salvação.

10 de março de 2010

Fell like a puppet.

Have you ever looked at yourself?
Tell me what you see, if you don't want to show me.

8 de março de 2010

Sinfonia

O conheci quando tínhamos sete. Ele sempre fora feliz, não desgostava de ninguém. Do contrário, sempre gostei do mórbido, era oculto e silencioso.
Fomos amigos por longo tempo, até que ele conheceu aquela garota. Andava com ela para todos os lados. Ela era estranha, com uma beleza oculta e obscura, face perfeita, sem exageros. Dois meses depois, ele parecia uma versão masculina dela. Impecável, roupas formalmente perfeitas, aparência concretamente endeusada.
De alguma forma achei completamente normal.
A garota foi dada morta por algum problema de saúde algumas semanas após. Foi uma pena, até eu fiquei abalado. Mas ele ficou impassível. Noutro dia já possuía outra companhia que, como ele, com o tempo foi tornando-se aquela figura gozada e deslocada.
Certo dia, admirava-os sentados ao chão do pinheiro. Fazia sol e refrescavam-se à sombra da árvore, entretanto, notei, suas sombras já não acompanhavam a do pinheiro. Não partiam de lado nenhum, não tinham sombra.
Então, percebi que aquilo apossava-lhes. Tirava-lhes o nada que já foram para fazê-los marionetes. Possuia-os corpo e alma. E eu achei aquilo tão anormal, tão estranho. Aqueles olhos vidrados e repulsivos.
Ele morreu de qualquer problema de saúde alguns dias depois, mas eu não consegui sentir-lhe pena. Invejava-o.

5 de março de 2010

Just stare out.

O medo da morte nos impede de viver, não de morrer, portanto, quanto mais temedores, melhor para os que a degustam.

3 de março de 2010

It smells the same

Canso-me de tudo.
Consome-me a permanência de todos.
Insisto em consumir-me, mas canso-me disso também.
Canso-me de sentir.
Canso-me de cansar-me.
Lamento todo o cansaço, mas quando começa, insiste em aumetar.
Depois, sinto falta de cansar-me.
Depois, consome-me insistir.
Cansei-me alma e corpo de esperar por mim.
Cansei-me além de mim de sentir minha falta.

1 de março de 2010

The Cube

Depois que entra-se, complica-se sair, mas os poucos que saem serão alvos inclusive após a morte. Não pode existir perdão.

27 de fevereiro de 2010

Rouse your dreams.

Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams.
Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams.
Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams.
Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams.
Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams. Killing my dreams.
Alucinógeno antes de dormir já não adianta mais.

25 de fevereiro de 2010

Mentira

realidade
sabedoria_sacrilégio
necrofilia_teocentrismo_antropofagia
sincronia_senso_concentração_sacrifício
execução_traição_suicídio_teimosia_esperança
hipocrisia_egocentrismo_modismo_ceticismo_falsidade_sigilo

24 de fevereiro de 2010

Ao Lugar

Sente Amarelo à Terra.
Vê Azul ao mar, ao Céu, ao Inferno.
Chora Vermelho ao sangue.
Mas A Morte só nasce uma vez na vida.
Onde Preto e Branco existirem juntos para formar duas cores em um único ser.

Outras formas não importam.
Não sentem. Não veem. Não choram.
Não nascem.

22 de fevereiro de 2010

Primero Salmo

Formarás opinião própria a respeito de algo em que não tem conhecimento concreto. Seguirás à outros quais invejas e dirás ser quem não és pela causa. Irás sobrepor a opinião alheia à própria.

amém

21 de fevereiro de 2010

Far From The Edge

[SEMPRE que se ganha algo, algo lhe é cobrado, entretanto, NUNCA que se perde algo, algo lhe é recompensado.]

More troubles than You told me I would have. Are You a lier or a concealer? Or both...?



Ao menos haverá justiça no final, certo?

20 de fevereiro de 2010

19 de fevereiro de 2010

broken as early

Por não estarem distraidos
'Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles.
Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas.
Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.
No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas,
e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso.
Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos.
Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham.
'
Clarice Lispector