10 de julho de 2011

psicodialogus

Escava, com as próprias unhas, este poço sem fim! Vai e vai... foge de toda a dor - o que é aceitável, pois todos o fazem; e só agora percebe que cavara tão fundo que não mais há luz onde perece.
Ora, por isto que cansam-se de ti! Não apercebe-se de que é exaustivo ter de perseguir-te nas trevas deste buraco imundo simplesmente para tentar alcaçar Àquele você - o outro que não está por detrás de tantos lençois?
E, pior, eu que conheço-Te, sei que és tão insignificante, tão inocentemente singelo... e então reconheço que a escuridão que lhe envolve é de intensidade mais do que suficiente para corromper-Te de tal forma a tornar-Te extremamente fraco e incapacitado.
Sequer arrisco-me a dizer que, mesmo eu!, sei quem és por completo.

Mas então. Desperta! Já! Afinal estou farta disso. Não é você quem sofre toda a dor física - a sério! pois meus membros estão a tremer com o esforço de escavar a terra. Qualquer dia destes, caio morta. Então, Você não será nada... até porque, como seria?
Não quero ser egocêntrica, afinal meu ego seria todo o seu, todo o meu, mas como pode apenas essência ser algo neste mundo, se não preenchida da futilidade de um corpo físico?

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