29 de junho de 2010

Tentativa 1 _ 17-8

olhava-te prosseguir feliz, enquanto perguntava-me o porquê de não esperar por mim...
Deixavas-me de lado! Por que deixavas-me de lado?
O problema é que quanto mais tempo perdido, mais te distanciavas...
E eu já não sabia mais andar, porque a areia já soterrava-me...
Não sabia que estava morrendo.
A areia apenas cobre tudo. Embrulha-te.
Nem a sente.
Não percebe.
Você respira - você tenta.
Não consegue.
Asfixia.
Verde...
Morte.

28 de junho de 2010

smoothly

Sabe... SP é uma cidade estranha, não existem lugares seguros: se sair na rua a gritar, capturam-te e carregam-te ao manicómio.

26 de junho de 2010

memórias da Psicose

Estou a passar por exames terapeuticos e psicológicos. Dizem-me que tenho diversos distúrbios emocionais. Recomendam-me um neuropsiquiatra. so what? Descobri uma ninfa noutro lugar. Juro que tento encontrá-la de novo, só porque sei que, dela, nada terei. Quando puder visualizar-me ao lado daquele ser imperfeito, ainda terei de guardar-lhe o segredo. E mesmo tendo de voltar à cá - e a dor da volta é tão indescritível! - vale a pena sempre que vou.

19 de junho de 2010

lith

Ah! eu sei que disso já sabem, mas vale a pena ressaltar a cada vez que uma essência é salva:

"Religion is to offer hope, inspiration and faith But when that faith passes judgement and tells you what to do, it is no longer faith, it is a cult..."
Amuto Fan

eh. Nem tão poético, mas bem colocado.

10 de junho de 2010

Holy.

Não, não...
Observam-no com curiosidade quase crucificante. As faces não são agradáveis, mas pior é dizerem-no misterioso. Jogam-no na cara, tal expressão, como se estivessem-no cuspindo as entranhas em cima. E ele não chora... lá, é claro, porque está sempre a chorar. A verdade é que pouco caso fazem dele. De nada ele realmente importa à todos. Não o olham, não o falam.
Ele não caminha, seus membros o fazem. Ele não cá está.
Consta que está em coma. Não apercebe-se mais o que o ronda. Não existe mistério algum. Dá-se aqui: nunca tocaram-no a alma, nunca quiseram o fazer, e isso que chora. Chora pelo tanto quanto não o havia feito previamente.

2 de junho de 2010

memories from a disturbed childhood,

Ao início, ela está intacta. Puxa-se a corda de cada um dos lados, mas existem demais fatores. É impossível dizer que quem nunca a rompeu teve maior diversão, também. Uma mesma pessoa pode puxar diversas, cada qual com suas consequências.
Pois então, quando puxa-se com demasiada força de ambos os lados, é óbvio que virá a romper-se. Existem os maltidos intrusos, ainda. Enviados por que quer que seja, acabam por atrapalhar a brincadeira - muitas vezes são eles os que virão a romper a corda alheia - ou simplesmente deixam-na mais interessante, dependendo da perspectiva.
Em toda vez que rompem-na, claro, não acaba-se por aí - ainda resta dar o nó, o que pode ocorrer ou não. É, porque a amizade consiste-se disto, porém, mesmo que o nó seja dado, ambos terão consiência de que ele está presente, como uma lembrança eterna e irreversível. Todos os nós o são.

Porque, quando ele morre, ocorre um curto período de trégua.

É impossível mostrar-se forte o tempo todo. Quanto mais resiste em abrir a casca para soltar o pó, mais pó acumula-se. Entretanto, chegará o dia em que a casca ficará pressionada e pressionada e eclodirá e danificar-se-há para sempre e, ainda, o pó sairá de vez.
Quando todos em volta demonstram-se tão fracos, alguém deve-se eleger como fonte de força, do contrário afunda-se tudo. Gostava, apenas, de que a eleição não ocorresse tão rapidamente.