18 de junho de 2011

Fantasia Pscicológica

Vista a anuância do meu corpo torto ao chão entendo que morri em agonia, contudo não me arrependo de forma alguma destes últimos momentos que finalizariam minha estúpida vida.
A incoerência da primeira vez que adentrei o ambiente escolar, a transcedência para uma fase de terror absoluto, eu não notava naquela época. E o início da fase deu-se por descobrirem-me – se não me distinguiram pelo meu físico demasiado alto e magro foi meu silêncio perante eles o que denunciou-me. O começo do terror, porém, aconteceu somente quando a malícia apossou-os. Os sussurros, olhares, a garota! – maldito ser aquele, erro de Deus – aproximando-se singela e minha pele reflorestando-se com o calor úmido que percorreu meu corpo. Deu-me esperanças de algo, a criatura, pouco antes de destruir a marretadas o prazer que sentia naquele diálogo com o sorriso de deboche. O cinismo de todos eles aumentava em enormidadedes desde então, os murmúrios e risadas, as perseguições frenéticamente constantes e os hematomas.
Sequer lembro como arrumei o instrumento, mas sei que o tempo o qual passei praticando-o foi suficiente para tocar tal sinfonia em que a plateia sangra ao meu prazer.
Filtrei as vítimas distinguidas subjetivamente e exclusivamente por mim. Atirava em todas elas – as mulheres, tão miseravelmente encolhidas com a face cheia de pavor, algo que apreciei tanto, em um momento quase erótico, que escondeu meu próprio humilde medo. Finalmente passei a ver somente o sangue e nada mais me preenchia além do instinto loucamente suicida. Foi quase antes de chegarem policiais que atirei em mim mesma.
Míseras as superstições de um ateu ao pensar que não continuo agora, e ainda presa para sempre, desde que nasci, no inferno que fizemos deste edifício que pode ser qualquer coisa, pois não me é nada.

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